O Chamado do Monstro (trechos de livros)

Ilustração do livro.

[...] A voz era grave e estrondosa, com uma vibração tão profunda que o garoto podia senti-la no peito. [...]

[...] Soprou um vento forte e repentino, envolvendo os dois em um redemoinho, e o monstro abriu tanto os braços, tanto que eles pareciam grandes o suficiente para alcançar horizontes opostos, tanto que pareciam grandes o suficiente para rodear o mundo. [...]

[...] Sou a espinha dorsal das montanhas! Sou as lágrimas que os rios choram! Sou os pulmões que sopram o vento! Sou o lobo que mata o cervo, o falcão que mata o rato, a aranha que mata a mosca! Sou o cervo, o rato e a mosca que são devorados! Sou a serpente do mundo engolindo o próprio rabo! Sou tudo o que é indomado e indomável! [...]

[...] Histórias são as coisas mais selvagens que existem, trovejou o monstro. Histórias perseguem e caçam e mordem. [...]

[...] A sensação que vinha com o pesadelo aumentava, transformando tudo em escuridão, fazendo tudo se tornar pesado e impossível, como se pedissem que ele levasse montanhas com as próprias mãos e não permitissem que saísse antes de conseguir. [...]

[...] São histórias que contam como derrubei inimigos, disse. Histórias que contam como matei dragões.
O garoto piscou diante do olhar fixo que o monstro lhe lançava.
Histórias são criaturas selvagens, continuou o monstro. Quando você as liberta, como saber a devastação que elas podem causar? [...]

[...] Às vezes as pessoas precisam mentir para elas mesmas, mais do que para qualquer outro. [...]

[...] Nem sempre há um bonzinho. Nem sempre há um vilão. A maior parte das pessoas fica entre um e outro. [...]

[...] Mas e daí, se for tudo um sonho? Quem garante que um sonho não pode atravessar a cidade? Ainda mais se é tão antigo quanto a terra e tão grande quanto o mundo. [...]

[...] Você não escreve sua vida com palavras, o monstro disse. Você a escreve com ações. Não importa o que você pensa. Só importa o que você faz. [...]

(Patrick Ness, O Chamado do Monstro)

2 comentários:

  1. Noossa que profundo!!! Adorei muitas ae "Nem sempre há um bonzinho..." ah e a última que a vida não fazemos com palavras, mas com ações. Deve muuuuito bom! bjkoas ;)

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