Trechos de Livros: A Hora da Estrela


Trechos do livro "A Hora da Estrela" de Clarice Lispector.


[...] Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou. [...]

[...] Pensar é um ato. Sentir é um fato. [...]

[...] Felicidade? Nunca vi palavra mais doida, inventada pelas nordestinas que andam por aí aos montes. [...]

[...] Assim é que experimentarei contra os meus hábitos uma história com começo, meio e “gran finale” seguido de silêncio e de chuva caindo. [...]

[...] Porque há o direito ao grito.
Então eu grito.[...]

[...] limito-me a contar as fracas aventuras de uma moça numa cidade toda feita contra ela. [...]

[...] Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite. [...]

[...] Também eu, de fracasso em fracasso, me reduzi a mim [...]

[...] Tenho é que me copiar com uma delicadeza de borboleta branca. [...]

[...] Pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema, é o instante de glória de cada um e é quando como no canto coral se ouvem agudos sibilantes. [...]

[...] Dançava e rodopiava porque ao estar sozinha se tornava: l-i-v-r-e! [...]

[...] Ele falava coisas grandes mas ela prestava atenção nas coisas insignificantes como ela própria.[...]

[...] Como era um alguém, comprou um batom cor-de-rosa. O seu diálogo era sempre oco. Dava-se conta longinquamente de que nunca dissera uma palavra verdadeira. E “amor” ela não chamava de amor, chamava de não-sei-o-quê. [...]

[...] Na verdade ela parecia ter nascido de uma ideia vaga qualquer dos pais famintos. [...]

[...] é que desde menino na verdade não passava de um coração solitário pulsando com dificuldade no espaço. [...]

[...] O pecado me atrai, o que é proibido me fascina. [...]

[...] Estou me interessando terrivelmente por fatos: fatos são pedras duras. Não há como fugir. Fatos são palavras ditas pelo mundo. [...]

[...] No fundo ela não passara de uma caixinha de música meio desafinada. [...]

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